Teresópolis, a “Cidade de Teresa“, sempre foi um refúgio de elegância e natureza exuberante na Região Serrana do Rio. No entanto, quem percorre suas ruas em 2026 encontra um contraste amargo: enquanto o setor imobiliário avança com prédios de até 20 andares, marcos históricos e naturais que deveriam ser o cartão-postal da cidade sucumbem ao descaso.
O abandono de pontos turísticos não é apenas um problema estético; é uma ferida aberta na economia local e na qualidade de vida de quem chama a cidade de lar.
Os Marcos Esquecidos: Onde o Tempo Parou
Diversos locais que já foram orgulho dos teresopolitanos hoje enfrentam situações críticas:
Mirante da Colina (Fazendinha): Localizado a mais de 1.000 metros de altitude, oferece uma das vistas mais espetaculares da Serra dos Órgãos. Atualmente, o cenário é de depredação, pichações e estrutura comprometida. O sonho de um teleférico que ligaria o centro ao mirante permanece apenas no papel.
Mirante da Granja Guarani – Abandonado Mirante da Granja Guarani – Abandonado - Mirante da Granja Guarani – Peque joia da arquitetura de Teresópolis, abandonada pelo descaso da prefeitura.
Lago Iacy (Granja Guarani): Um patrimônio cultural tombado que padece com o assoreamento. O mato alto e a sujeira escondem o que deveria ser um espelho d’água histórico, fruto do legado da família Guinle.

Lago Iacy Acesso e Pórtico: Até mesmo a entrada da cidade, na região do Soberbo, sofre com a falta de manutenção. Bandeiras desgastadas e jardins tomados pelo capim dão as “boas-vindas” negativas aos visitantes.
O Impacto na População e no Turismo
O descaso com esses pontos gera um “efeito dominó” que atinge diferentes camadas da sociedade:
1. Insegurança e Desvalorização Social
Locais abandonados tornam-se pontos de descarte de lixo e consumo de drogas. Moradores da Granja Guarani e da Colina, por exemplo, relatam que o medo substituiu o lazer. A falta de iluminação e policiamento nesses pontos afasta as famílias e desvaloriza os imóveis vizinhos.
2. A “Expulsão” do Turista Qualificado
O turista que visita Teresópolis busca o “clima de montanha” e a história. Ao encontrar mirantes destruídos e lagos secos, o tempo de permanência na cidade diminui. O visitante acaba se limitando à Feirinha do Alto e ao Parque Nacional, deixando de consumir no comércio local de outros bairros.
3. Perda de Identidade Cultural
“Teresópolis está perdendo sua alma para o concreto”, desabafa um morador local em fóruns recentes.
A substituição de marcos históricos por prédios residenciais de luxo (verticalização extrema) altera o microclima e a paisagem que, ironicamente, é o que atrai as pessoas para a cidade.
O que diz o Poder Público?
Em 2026, a gestão municipal alega que os investimentos estão sendo focados em infraestrutura urbana e que muitos desses pontos dependem de parcerias público-privadas ou de verbas estaduais que tardam a chegar. No entanto, a recente reforma da Rodoviária, que já apresenta goteiras e infiltrações e da Feirinha do ALTO, onde apenas a metade da praça foi reformada e já apresenta problemas nas calçadas, levanta questionamentos sobre a qualidade das manutenções realizadas.
Conclusão
Teresópolis vive uma encruzilhada. De um lado, o progresso imobiliário acelerado; do outro, o patrimônio histórico e natural pedindo socorro. Sem uma política de preservação eficaz, a cidade corre o risco de se tornar apenas mais um dormitório de luxo, perdendo o título de destino turístico de excelência.
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