Parque Estadual da Pedra Branca abriga aqueduto histórico com 34 km de extensão

Projetado para abastecer 7,5 milhões de pessoas até os anos 2000, a estrutura já foi considerada a obra do século
O Parque Estadual da Pedra Branca, unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), abriga uma das mais importantes obras de engenharia hidráulica do Rio de Janeiro. Conhecido como Aqueduto Veiga Britto ou Túnel Lacerda, o sistema foi inaugurado na década de 1960, após um período de forte escassez de água na capital fluminense, e hoje é um dos pontos turísticos da unidade de conservação. O projeto, situado em Realengo, na Zona Oeste da capital, tinha como objetivo abastecer cerca de 7,5 milhões de pessoas até o ano 2000.

— Trata-se de uma arquitetura histórica que se mantém relevante até hoje. Muitas pessoas não têm dimensão da importância desse aqueduto para a história do Rio de Janeiro. Além disso, ele desempenha um papel ambiental fundamental — destacou o secretário de Estado do Ambiente, Bernardo Rossi.

O projeto teve início em 1951, quando o Rio de Janeiro buscava soluções para suprir suas necessidades hídricas até 1970. O manancial escolhido foi o Rio Guandu, localizado em Nova Iguaçu, que tinha capacidade de fornecimento de 1,2 milhão de litros de água por dia. Inicialmente, a adutora terminaria no Reservatório do Engenho Novo, mas o plano foi ampliado, estendendo-se até a Zona Sul, no Reservatório dos Macacos, que entrou em operação em 1958.

Com o crescimento populacional e a projeção de abastecimento para 7,5 milhões de habitantes até o ano 2000, foi inaugurada, em 1966, a segunda adutora do Guandu: a Adutora Veiga Britto. À época, a estrutura foi considerada a maior estação subterrânea do mundo. O sistema possui cerca de 34 quilômetros de extensão, com trechos visíveis, como o famoso Aqueduto do Catonho, inaugurado em 1965, que atravessa a Estrada do Catonho, no bairro Jardim Sulacap, a ponte da Cachoeira que tem 164 metros e a do Governo (Realengo) com 200 metros de extensão.

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Foto: (Divulgação) – INEA

Antes da implantação das adutoras, os bairros de Realengo e Bangu, na Zona Oeste, eram abastecidos pelo Rio Piraquara, que tem suas nascentes localizadas dentro do Parque Estadual da Pedra Branca. Com a expansão populacional e a crescente escassez hídrica, o sistema do Guandu passou a substituir essa função de abastecimento. A adutora que continua sendo um eixo fundamental de abastecimento, atua hoje como um importante túnel-canal subterrâneo do Sistema Guandu, transportando água tratada.

O trecho do Governador o único utilizado para fins recreativos tem 18 metros de altura e 200 metros de extensão. Por estar muito próximo à copa das árvores, recebe constantemente a visita de aves como carcarás, gaviões e passarinhos. Essa rica biodiversidade o torna um observatório de aves e um ótimo mirante.
Além do valor ambiental, o trecho tem grande potencial esportivo, recebendo diariamente praticantes de rapel e escalada. Ele também faz parte do Trecho 08 da Trilha Transcarioca, a primeira trilha de longo curso do Brasil.

O parque fica aberto para visitação de terça a domingo, das 8h às 17h. O aqueduto está localizado no Núcleo Piraquara, na Rua do Governo, s/n, em Realengo.

Sobre o parque

Com 12.491 hectares, o Parque Estadual da Pedra Branca abrange áreas de 17 bairros da Zona Oeste do Rio de Janeiro. A sede da unidade de conservação está localizada no Pau da Fome, em Jacarepaguá, e seus núcleos ficam no Camorim (também em Jacarepaguá), em Piraquara (Realengo) e no posto avançado Quilombola, em Vargem Grande, batizado em homenagem à comunidade quilombola Cafundá Astrogilda.
O parque abriga uma rica biodiversidade, com 479 espécies de fauna registradas, sendo 43 de peixes, 20 de anfíbios, 27 de répteis, 338 de aves e 51 de mamíferos.